Arqueologia no norte de Santa Catarina

Desde minha participação em projetos de arqueologia como bolsista da prof. Dra. Dione da Rocha Bandeira na UNIVILLE, como já postado no Day of Archaeology 2013 (http://www.dayofarchaeology.com/inicio-de-estudos-em-arqueologia-na-minha-vida-academica/), participo do Grupo de Estudos em Arqueologia e Cultura Material/ArqueCult, que é coordenado pela arqueóloga Profa. Dra. Dione da Rocha Bandeira, e é ligado ao Grupo de Pesquisa cadastrado no CNPq Estudos Interdisciplinares de Patrimônio Cultural/GEIPAC do Mestrado em Patrimônio Cultural e Sociedade/MPCS da Universidade da Região de Joinville/Univille.

O ArqueoCult, que foi criado em 2011, tem como objetivo refletir, a partir de uma perspectiva interdisciplinar, os diferentes problemas de pesquisa propostos nos projetos conduzidos por seus membros. Tem sido pauta de discussões os sítios e as ocupações pré-coloniais costeiras, principalmente sambaquis e sítios Gês na perspectiva da zooarqueologia e etnicidade, a conservação, a legislação e a gestão do Patrimônio Arqueológico nas cidades e em unidades de conservação, a Arqueologia e Escravidão, Arqueologia e Paisagem, Patrimônio arqueológico e museus, entre outros. O grupo reúne alunos e docentes dos cursos de História, Biologia Marinha e Geografia, do MPCS e da Especialização em Arqueologia, cuja primeira turma iniciou em 2012.

A área da Arqueologia está sendo paulatinamente implantada na Univille com a criação do Laboratório de Arqueologia em 2012 compartilhando espaço com o Laboratório de Geologia já existente. A intenção do grupo e sua divulgação é fomentar a valorização do Patrimônio Cultural e Arqueológico e convidar a todos que tenham interesse pelo campo a nele ingressarem. Isto pode ser feito por meio dos cursos de Graduação, do Mestrado em Patrimônio Cultural e Sociedade e a Especialização em Arqueologia da Univille, ou ainda de forma voluntária.  Conta, em vários de seus projetos, com o apoio institucional do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville/MASJ.

As dissertações, TCCs e artigos produzidos por membros do grupo estão disponibilizadas na aba PublicaçõesLearq/ArqueoCult Univille. O Grupo realizou duas edições do evento Seminários do Grupo de Estudos em Arqueologia e Cultura Material nos anos de 2011 e 2013. O tema do primeiro foi a Produção Científica sobre Sambaquis da Babitonga no qual cada membro do grupo apresentou síntese das pesquisas feitas em sambaquis da região. O segundo foi a palestra do arqueólogo André Colonese intitulada “Pescadores, ceramistas e…pescadores no litoral sul do Brasil entre 6 e 1 ka BP: uma abordagem isotópica molecular”

Convite II Seminário FINAL 2

GRUPO NA OFICINA LÍTICA E SAMBAQUI ENSEADA – PRAINHA/PRAIA GRANDE, SÃO FRANCISCO DO SUL/SANTA CATARINA

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MINI CURSO ZOOARQUEOLOGIA 2013

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Início de estudos em arqueologia na minha vida acadêmica

Antes de ingressar no grupo de pesquisa e ser bolsista na área da arqueologia, aconteceu um episódio no mínimo interessante. Soube através de um amigo de classe que havia um anúncio, ao qual estava nos murais da Univille. Objetivo era realizar um “intercâmbio” entre alunos da Biologia Marinha junto ao Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville. Desde então começou meu contato com a prof. Dra. Dione da Rocha Bandeira. Entre uma ida e outra no museu, desenvolver algumas leituras, ver como é realizado a triagem do material faunístico, etc.; não obtivemos sucesso na proposta de “intercâmbio”.

Mantive contato com a prof. Dione sobre uma possível bolsa em um projeto que estava para sair. Depois de em encher a caixa de email da Dione com questionamentos, como “Olá prof.ª saiu alguma coisa do projeto?”, nos reunimos no MASJ e concretizamos minha participação no projeto ATLAS. Iniciou-se assim minha participação nas atividades arqueológicas. Leitura de diagnósticos arqueológicos da região da Baía da Babitonga (São Francisco do Sul, Itapoá, Garuva, Barra do Sul, Joinville, Araquari); quadro comparativo dos sítios pesquisados por Piazza (1966, 1974), Rohr (1984), Martin et al. (1988) e Bigarella et al. (1954), apresentação dos trabalhos, reuniões, etc. No ano de 2012 estive vinculado ao projeto Ilha da Rita com o subprojeto “A fauna do sambaqui Ilha da Rita – inferências sobre hábitos pré-coloniais na alimentação”. Vinha trabalhando em cima de um flotador, e hoje está concluído.

Hoje estou trabalhando com o material faunístico do Sambaqui Cubatão I, já pré-curados, terminando a triagem do ano da escavação de 2009. O Sambaqui, objeto deste projeto, localiza-se na margem direita do Rio Cubatão, em Joinville/SC, próximo à sua foz no Canal do Palmital. Este sítio foi parcialmente destruído pela retirada de material para aterro de estradas. Atualmente, o sítio vem sofrendo processo erosivo em sua face nordeste decorrente de ação flúvio-marinha intensificada por atividades antrópicas, como trânsito de embarcações e retificação do rio. Resultando em um perfil de aproximadamente 10m de altura por 80m de comprimento. A erosão tem evidenciado a existência de artefatos de fibras vegetais e madeiras nas camadas inferiores do sítio, aspectos de grande interesse.

Foto aérea do Sambaqui Cubatão I, mostrando a equipe de escavação

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Imagem de detalhe da escavação do Sambaqui Cubatão I, realizada pelo Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (MASJ) em parceria com o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (MAE-USP), a Escola Nacional de Saúde Pública da FIOCRUZ e o CNRS/França

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As análises arqueológicas no Cubatão I identificaram além dos sepultamentos, artefatos de rocha e concha e os seguintes tipos de ecofatos: ossos de fauna, carvões, rochas e conchas de bivalves e gastrópodes.  Até o momento o projeto está em andamento, mas seguem algumas fotos

Amostra 2

Amostra 3

Dente golfinho

Placa dentária Baiacu

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Inicialmente entrei no curso de Biologia Marinha com a ideia de trabalhar com Aquicultura. Entrar no projeto de arqueologia foi uma oportunidade de conhecer uma área diferente e totalmente nova para mim. Aos poucos fui aprendendo a gostar cada vez mais desta ciência.

Hoje o que me impulsiona é a pouca expressão de biólogos trabalhando com a arqueologia; o clima agradável de trabalho, propiciado pelos amigos de grupo de pesquisa; e principalmente a oportunidade que me foi dada, juntamente com o crescente interesse.