Sambaqui

Início de estudos em arqueologia na minha vida acadêmica

Antes de ingressar no grupo de pesquisa e ser bolsista na área da arqueologia, aconteceu um episódio no mínimo interessante. Soube através de um amigo de classe que havia um anúncio, ao qual estava nos murais da Univille. Objetivo era realizar um “intercâmbio” entre alunos da Biologia Marinha junto ao Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville. Desde então começou meu contato com a prof. Dra. Dione da Rocha Bandeira. Entre uma ida e outra no museu, desenvolver algumas leituras, ver como é realizado a triagem do material faunístico, etc.; não obtivemos sucesso na proposta de “intercâmbio”.

Mantive contato com a prof. Dione sobre uma possível bolsa em um projeto que estava para sair. Depois de em encher a caixa de email da Dione com questionamentos, como “Olá prof.ª saiu alguma coisa do projeto?”, nos reunimos no MASJ e concretizamos minha participação no projeto ATLAS. Iniciou-se assim minha participação nas atividades arqueológicas. Leitura de diagnósticos arqueológicos da região da Baía da Babitonga (São Francisco do Sul, Itapoá, Garuva, Barra do Sul, Joinville, Araquari); quadro comparativo dos sítios pesquisados por Piazza (1966, 1974), Rohr (1984), Martin et al. (1988) e Bigarella et al. (1954), apresentação dos trabalhos, reuniões, etc. No ano de 2012 estive vinculado ao projeto Ilha da Rita com o subprojeto “A fauna do sambaqui Ilha da Rita – inferências sobre hábitos pré-coloniais na alimentação”. Vinha trabalhando em cima de um flotador, e hoje está concluído.

Hoje estou trabalhando com o material faunístico do Sambaqui Cubatão I, já pré-curados, terminando a triagem do ano da escavação de 2009. O Sambaqui, objeto deste projeto, localiza-se na margem direita do Rio Cubatão, em Joinville/SC, próximo à sua foz no Canal do Palmital. Este sítio foi parcialmente destruído pela retirada de material para aterro de estradas. Atualmente, o sítio vem sofrendo processo erosivo em sua face nordeste decorrente de ação flúvio-marinha intensificada por atividades antrópicas, como trânsito de embarcações e retificação do rio. Resultando em um perfil de aproximadamente 10m de altura por 80m de comprimento. A erosão tem evidenciado a existência de artefatos de fibras vegetais e madeiras nas camadas inferiores do sítio, aspectos de grande interesse.

Foto aérea do Sambaqui Cubatão I, mostrando a equipe de escavação

Cubatao_I

Imagem de detalhe da escavação do Sambaqui Cubatão I, realizada pelo Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (MASJ) em parceria com o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (MAE-USP), a Escola Nacional de Saúde Pública da FIOCRUZ e o CNRS/França

CubatãoI

As análises arqueológicas no Cubatão I identificaram além dos sepultamentos, artefatos de rocha e concha e os seguintes tipos de ecofatos: ossos de fauna, carvões, rochas e conchas de bivalves e gastrópodes.  Até o momento o projeto está em andamento, mas seguem algumas fotos

Amostra 2

Amostra 3

Dente golfinho

Placa dentária Baiacu

Pterigioforo_Aculeo

Inicialmente entrei no curso de Biologia Marinha com a ideia de trabalhar com Aquicultura. Entrar no projeto de arqueologia foi uma oportunidade de conhecer uma área diferente e totalmente nova para mim. Aos poucos fui aprendendo a gostar cada vez mais desta ciência.

Hoje o que me impulsiona é a pouca expressão de biólogos trabalhando com a arqueologia; o clima agradável de trabalho, propiciado pelos amigos de grupo de pesquisa; e principalmente a oportunidade que me foi dada, juntamente com o crescente interesse.